Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Por que a gente escreve num blog?




Não falo do alto de alguma experiência. Escrevo aqui só desde fevereiro do ano passado.
É verdade que antes de entrar na faculdade eu escrevia muito mais. (entenda: escrevia muito mais meus textos livres, aqueles que você não mostra pra ninguém ou posta em um blog).

Lembro de um seriado antigo que eu gostava muito em que o personagem questionava a mulher sobre o porquê de ela estar sempre escrevendo em um diário, ao invés de viver a vida. Nunca soube se eu concordava com ele ou com ela. O fato é que sempre continuei escrevendo.

Este blog não tem o propósito de seguir algum tema ou linha de raciocínio. O objetivo dele é escrever o que me vem na cabeça e me dá vontade de colocar pra fora. Não há verdade ou mentira aqui. Talvez por isso tenha escrito este post , depois que li que no JF Blogs (não deixe de acessar, é muito útil) que a definição para meu Peixe Solúvel era Egotrip/Cultura Pop. Achei, no mínimo, interessante, pois eu mesma nunca havia pensado aonde encaixaria meu blog.

Não espero fazer grandes revelações ou conquistar 1 milhão de amigos através dele. Sem pretensões, algumas visitas vão aparecendo e todas são muito válidas pra mim. Por exemplo, no post sobre vegetarianos, cheguei até o link do Instituto Nina Rosa e realmente fiquei feliz, pois eu não posso negar que a única coisa que espero receber com este blog são os comentários de quem me lê. E que eles possam acrescentar algo para mim.

A minha maior realização é provocar alguma reação, seja ela qual for, em que chega até aqui. Se você tem paciência, vai lendo aí e se vai gostando, continua voltando. Já eu, não posso prometer alguma periodicidade de postagem, afinal dependo da minha inspiração, que não vem todo dia.

Terça-feira, Novembro 03, 2009


Assim que a gente nasce vira um produto.

Mamãe e papai nos enfiam em diversas atividades para nos preparar para o futuro: balé, inglês, natação, futebol... Eles têm na cabeça a perfeita imagem do que seremos e do que devemos fazer para chegar lá.

Aliás, já reparou como todo mundo, não só os pais, têm alguma expectativa sobre você? A maioria das pessoas sempre vai esperar alguma coisa de você, por isso é tão mais fácil decepcionar do que surpreender.

E atire a primeira pedra quem nunca, nunquinha, julgou alguém antes mesmo de conhecer ou ainda julga sem nunca ter nem trocado um "oi" com aquela pessoa. Somos produtos tentando nos encaixar nas prateleiras da cabeça de cada um.

E é assim que funciona, uma maneira de nos proteger: a gente prefere se aproximar de quem é parecido com a gente. Preferimos pensar que alguém tão diferente da gente não pode ser boa coisa. Queremos mudá-las porque ser/pensar/agir igual a gente é mais "normal".



Ganhamos um milhão de rótulos durante toda a vida: o chato, o engraçado, o nerd, a pati, o machão, a desengonçada, o briguento...
E com isso, perdemos. Toda forma de limitação é burra.



PS: a falta de título tem duas razões: a 1ª é que eu não consegui encontrar na minha cabeça nenhum título que eu achasse que realmente iria combinar.
A 2ª é justificativa é que a falta desse título é uma forma de dar aos leitores a chance de pensarem nos seus próprios títulos. seria quase um exercício de rotular meu texto e escolher o título de acordo com o que achou.


Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Verdade ou consequência?


Existe uma grande diferença entre o que você quer e o que você precisa. Eu posso conquistar tudo o que eu quero e perceber no fim que isso não é o que preciso. Será que a gente sabe avaliar o que vai nos satisfazer daqui a alguns anos?

Talvez essa linha de raciocínio esteja errada e seja melhor optar pelo agora. Mas como viver, principalmente se você sofre de ansiedade nervosa como eu, sem pensar nas consequências do que fazemos hoje para o amanhã?

Não consigo achar um equilíbrio ao certo. A gente vai seguindo no que acredita, mas com dúvidas, é claro. Quem não tem dúvidas? Uma hora penso bem pra frente no meu futuro, outra, que tenho que aproveitar o momento. É assim com todo mundo, a gente sabe, mas dá um medo da nossa própria indecisão, de onde podemos nos levar.

Se tudo fosse soma, seria sempre ponto pra gente. Mas tem coisas que nos subtraem, que nos fazem voltar duas casas no jogo, perder uma jogada e até voltar ao início.


A vida, como um grande jogo de tabuleiro, começa com a gente querendo sempre chegar ao fim. Não é apenas uma questão de ganhar, mas de chegar lá mesmo. De provar pra você que você conseguiu. Ver o seu peão completando um ciclo.

Você não escolhe, tem que jogar Banco Imobiliário, War, Jogo da Memória, e tantos outros todos os dias.

Vamos então às regras desse jogo:
No início, conheça o trajeto que deverá percorrer.
No caminho, não trapaceie.
No fim, lamento decepcioná-los. Mas nunca tem fim. Temos sempre outras partidas pra jogar.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

A certeza


E então chega uma hora na vida que ela vem. Vem calma, mas segura. Não nos damos conta no começo da grandiosidade que é. Mas depois que acontece parece que não existia nada antes disso. É uma certeza que acompanha todos os seus passos, guia todos os seus caminhos e leva horas do seu pensamento.

Chega uma hora na vida que você vê o mundo com os olhos dos outros. Que sua alegria só é plena se a do outro também é. Que você sofre, briga, ri, chora. Pelo outro.

Paramos pra pensar que nossa vida são os outros. Somos os outros que amamos.



Vivendo um momento em que eu quero aproveitar todo o tempo com eles. Antes que acabe.

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Ensaio sobre a cegueira




A gente se acostuma, mas não devia, já dizia Marina Colassanti. A sociedade aceita tudo passivamente, mas não acha que está tudo bem. Seus movimentos, seu cansaço, sua indignação, seu discurso, não condizem com suas ações. Ou sua grande falta de ação. A gente reclama da fila do banco, mas fura fila. A gente reclama da violência, mas não ouve os próprios filhos em casa. E ouvir é o primeiro passo pra entender. Mas estamos todos surdos. A gente se acostuma a acordar desejando mudar o mundo. A ir dormir frustrado e paralisado diante da própria apatia.

Esperamos por aquilo que nunca vem. Esperamos que uma oportunidade surja. E quando ela vem, vem bem diante da nossa cara, quase gritando, tão de perto, mas a gente só consegue pensar que depois vem outra chance e sempre haverá tempo. A gente se acostuma a perder. Não que isso seja de todo mal, mas nos convencionamos ao conformismo. A gente lê jornal, sabendo tudo o que está acontecendo, fica mais fácil mudar, mas não muda. Ninguém quer mudar. Ninguém sabe como. Mudar implica em alteração, em trabalho duro. Em não saber se vai dar certo.

E estamos num tempo que arriscar não vale à pena, tempo em que uma pessoa não vai mudar o mundo sozinha. Tempo em que protestos são em vão, tempo de egoísmo, de falta de se indignar, de se fazer ouvir. Estamos também mudos, preferimos nos calar diante de tudo porque uma só voz levantada não chega a lugar algum. E quando falamos, não refletimos sobre aquilo que acreditamos, nem acreditamos em nós mesmos!

Esquecemos de aproveitar as coisas boas da vida. Quando estamos de folga, ficamos neuróticos pensando em tudo o que temos para fazer depois, e quando estamos cheios de trabalho, pensamos em quanto seria bom dar uma pausa na vida. Apressados, esquecemos de ver o sol, de sentir a simplicidade da vida pulsando em nosso peito, de sorrir por dentro. Não conseguimos estabelecer prioridades e quando temos alguma conquista, logo partimos para outra luta, porque a gente nunca tem tempo de viver de verdade. Estamos privados de sentir a vida.

Não temos sequer a chance de parar pra respirar, não existe a possibilidade de parar e refletir, por que as reflexões não levam a nada. Pensar só nos torna consciente dos problemas, o que não significa absolutamente nada se a partir daí não se cria uma ação. Não há estímulo para percebermos o cheiro das flores, daquela comida feita em casa, da terra molhada da chuva. Ninguém quer falar sobre isso. Estamos esgotados. Perdemos todos os nossos sentidos diante de uma vida sem sentido.

Resta-nos, porém, um único sentido. Resta-nos enxergar, não com os olhos cansados, não sob a ótica de alguém. Resta-nos olhar de verdade para as pessoas, nos desprendermos de convenções, dos conceitos pré-determinados, das amarras da vida. Não precisamos de óculos, nem de lentes de aumento. Não estamos cegos por fora, estamos cegos por dentro. Só enxergamos o vazio, quando na verdade há um infinito para se descobrir. Só precisamos saber para onde olhar.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Apresentações


Conheça a vida.
Conheça a vida que escolheram pra você.

Conheça convenções.
Conheça escolhas feitas por seus pais antes mesmo de você nascer.
Conheça a escola.
Conheça ensinamentos que ninguém vai te mostrar.
Conheça regras.
Conheça exemplos perfeitos que ninguém jamais conseguirá alcançar.
Conheça injustiças.
Conheça situações que você não esperava passar.
Conheça a desistência.
Conheça a prova de forças que você nem sabia que possuía.
Conheça os desafios.
Conheça dúvida e conquista simultaneamente.





Conheça as palavras.
Conheça momentos em que lhe faltarão palavras.
Conheça a mentira.
Conheça palavras que não significam nada.
Conheça a verdade.
Conheça palavras que você precisava ouvir.
Conheça o amor.
Conheça fortes palpitações e faltas de ar.
Conheça a ignorância.
Conheça o atraso e perda total de tempo.
Conheça a tristeza.
Conheça olhares sem brilho.

Conheça a alegria.
Conheça sutilezas que fazem toda a diferença.

A vida dispensa apresentações.



Só pra divulgar: a maioria das imagens usadas neste blog vem do site DeviantART. Ótimo para se inspirar!


Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Siga as abelhas!

"Ouvi dizer que, pelas leis da aerodinâmica, as abelhas jamais poderiam voar. Porque seu corpo é muito grande e pesado para asinhas tão miúdas. Mas elas voam assim mesmo. Sabe por que? Porque elas não sabem disso." do incrível blog da Silmara http://fiodameada.wordpress.com/

Ela tinha acabado de sofrer uma derrota. Pra ela mesma. Se fosse há algum tempo, teria chorado. Teria passado a tarde se lamentando. Mas hoje não. Hoje já era permitido errar.

E ela ficava torcendo para que, a partir daquele dia, assim como a abelha, não soubesse um monte de coisas.

Não soubesse que o mercado de trabalho por vezes vive de indicação e não de competências.
Não soubesse que pra lançar livros primeiro ele tem que ser aprovado pela editora.
Não soubesse que o tempo todo estamos sendo julgados aparência.
Não soubesse que amar pode doer.

E eu poderia listar aqui um monte de coisas que eu não gostaria de saber que é quase impossível ou muito difícil e que por isso a gente já desiste, ou cria uma certa rejeição, antes mesmo de tentar.

E para a minha derrota de hoje, eu diria que é quase impossível vencer de onde estou agora. Mas eu escolhi não saber que é difícil e lá vou eu de novo.